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Qual o lucro de um eletroposto: margem, custos e impostos
O lucro de um eletroposto é o que sobra do faturamento depois de pagar a energia comprada da distribuidora, as taxas da plataforma e do pagamento, os impostos sobre a venda, a remuneração do dono do local e a manutenção. Não existe um "lucro médio" útil, porque dois eletropostos com o mesmo carregador podem ter custo de energia e ocupação muito diferentes. O jeito certo é calcular a margem por kWh e multiplicá-la pelo volume do seu ponto.
A conta da margem por kWh
Margem por kWh = P − (Ce + Tp + Tpg + I + Dl)
P = preço cobrado do motorista por kWh
Ce = custo da energia comprada, por kWh (com tributos da fatura)
Tp = taxa da plataforma de gestão, convertida para R$/kWh
Tpg = taxa do meio de pagamento (cartão, Pix), convertida para R$/kWh
I = impostos sobre a venda, por kWh
Dl = participação do dono do local, se for percentual, por kWh
Depois: Lucro mensal = Margem por kWh × kWh vendidos no mês − custos fixos mensais.
Custos fixos são os que existem mesmo sem recarga: aluguel fixo da vaga (se houver), mensalidade da plataforma, chip de dados, seguro e contrato de manutenção.
Cada desconto, explicado
Custo da energia
É o maior custo variável e o que mais muda entre projetos. Depende de três coisas:
- Tarifa da distribuidora e modalidade tarifária. Consumidores em baixa tensão pagam uma tarifa por kWh; unidades em média tensão pagam também demanda contratada. Um carregador DC pode elevar a demanda e gerar custo mesmo nos dias de pouco uso.
- Horário. Em modalidades com posto horário, a energia na ponta custa mais.
- Geração própria. Energia solar reduz o custo efetivo do kWh revendido. Veja eletroposto com energia solar.
Taxas da plataforma e do pagamento
Plataformas de gestão cobram de formas diferentes: mensalidade por conector, percentual da receita ou valor por kWh. O meio de pagamento cobra percentual por transação. Some as duas e converta para R$/kWh para comparar propostas. Veja software de gestão de eletroposto.
Impostos
A venda de energia na recarga é tratada pelas secretarias de fazenda de SC e de SP como operação sujeita a ICMS, não a ISS. O regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Real) muda quanto do faturamento vai para impostos. Veja recarga paga ICMS ou ISS?.
Dono do local
Pode receber aluguel fixo (custo fixo), percentual da receita (custo variável) ou nada além do movimento extra. A escolha muda o risco do investidor. Veja aluguel fixo ou percentual.
Manutenção
Preventiva, corretiva, reposição de cabo e conector, atualização de firmware e monitoramento. Veja operação e manutenção.
Exemplo com variáveis
Suponha que você cobre P por kWh e que seus custos variáveis somem 40% de P. A margem por kWh é 0,6 × P. Se o ponto vende 1.200 kWh por mês, o lucro bruto variável é 720 × P. Desse valor saem os custos fixos mensais.
Agora teste a sensibilidade: se o volume cair para 600 kWh, o lucro variável cai pela metade, mas os custos fixos continuam iguais. É por isso que aluguel fixo é arriscado em ponto de volume incerto.
Os três botões que mais mexem na margem
- Ocupação. Mais kWh vendidos diluem os custos fixos.
- Custo da energia. Geração própria e escolha da modalidade tarifária certa.
- Disponibilidade. Carregador parado por defeito não vende. Monitoramento remoto e reinício à distância resolvem boa parte das paradas sem visita técnica.
Lucro contábil e retorno do investimento
A margem mensal paga, primeiro, o investimento inicial. Só depois disso o lucro "é seu". Para saber em quanto tempo isso acontece, veja payback e ROI de eletroposto. Lembre também da depreciação: carregadores têm vida útil e, em algum momento, precisam de troca de componentes ou do equipamento inteiro.
O mesmo faturamento pode dar resultados diferentes
Dois pontos com a mesma receita podem ter despesas diferentes de energia, espaço, atendimento e manutenção. Para comparar resultado, coloque esses itens na mesma estrutura e considere o período observado. Faturamento elevado, sozinho, não descreve o que sobra para o investidor.
Separe despesas recorrentes, investimentos e retiradas. Verifique como interrupções, promoções e necessidade de reposição entram no planejamento. Um relatório útil permite conferir as hipóteses e explicar variações, em vez de apresentar uma margem única válida para qualquer unidade.
Perguntas para aplicar à sua situação:
- Que despesas foram consideradas?
- O período inclui meses fracos e fortes?
- Reposições e reinvestimentos aparecem no planejamento?
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