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Quanto fatura um eletroposto por mês: como calcular
O faturamento mensal de um eletroposto é o resultado de uma conta de quatro fatores: recargas por dia × kWh entregues por recarga × preço do kWh × dias de operação. Três desses fatores são fáceis de estimar. O primeiro, recargas por dia, é o que separa uma projeção honesta de uma planilha otimista, e é nele que você deve gastar o seu tempo.
A fórmula
Faturamento mensal = R × E × P × D
R = recargas por dia (média anual, não o pico)
E = energia média entregue por recarga, em kWh
P = preço cobrado por kWh (ou equivalente, se cobrar por tempo)
D = dias de operação no mês
Se houver mais de um conector, calcule cada um separadamente ou use R como a soma de todos.
Como estimar cada variável
E: energia por recarga
Depende da bateria dos carros que param ali e de quanto tempo ficam. Uma forma prática: considere que o motorista chega com parte da bateria e sai com a maior parte dela cheia. Por exemplo, um carro com bateria de 60 kWh que chega com 30% e sai com 90% recebe 60% × 60 = 36 kWh.
Em carregador AC, a energia é limitada também pelo tempo de permanência: E ≤ potência efetiva × horas de permanência. Um carro que aceita 7 kW e fica 2 horas recebe no máximo cerca de 14 kWh, mesmo que a bateria tenha espaço. Veja quanto tempo demora para carregar um carro elétrico.
P: preço do kWh
É uma decisão sua, limitada pela concorrência e pelo que o público do local aceita pagar. Pode ser por kWh, por minuto ou misto. Veja como definir o preço do kWh.
D: dias de operação
Em pontos 24 horas, 30 dias. Em estabelecimentos que fecham, conte só os dias e horários em que a vaga está acessível.
R: recargas por dia (a variável que decide tudo)
Monte três cenários e justifique cada número:
| Cenário | Como construir |
|---|---|
| Conservador | Só a demanda que você já consegue observar: carros elétricos que frequentam o local hoje, frota de clientes, hóspedes com VE |
| Moderado | Conservador + crescimento da frota da região no primeiro ano + visibilidade nos apps de recarga |
| Otimista | Ponto consolidado, com ocupação próxima da de concorrentes lotados na mesma cidade |
Três fontes ajudam a ancorar R:
- Observação no local. Conte, durante alguns dias, os carros elétricos e híbridos plug-in que param ou passam.
- Concorrentes próximos. Os aplicativos de recarga mostram quando um ponto está ocupado. Ponto vizinho sempre ocupado indica demanda reprimida.
- Frota da região. Emplacamentos por cidade e estado são publicados por associações do setor. Veja mercado de carros elétricos no Brasil.
Exemplo de cálculo (com variáveis)
Um ponto AC em hotel, com conector que entrega em média E = 20 kWh por recarga, operando D = 30 dias:
| Cenário | R (recargas/dia) | kWh por mês (R × E × D) |
|---|---|---|
| Conservador | 1 | 600 kWh |
| Moderado | 2 | 1.200 kWh |
| Otimista | 4 | 2.400 kWh |
Multiplique o kWh mensal de cada cenário pelo seu preço P para obter o faturamento. Faça a conta com o preço que você realmente pretende cobrar, e não com o preço do concorrente mais caro.
Faturamento não é lucro
Do faturamento saem: energia comprada da distribuidora, taxa da plataforma de gestão, taxa do meio de pagamento, impostos sobre a venda, remuneração do dono do local e manutenção. A conta completa está em qual o lucro de um eletroposto.
Receitas além do kWh
- Taxa de ociosidade: cobrança por minuto depois que a recarga termina e o carro continua na vaga. Veja taxa de ociosidade.
- Taxa de início de sessão, quando o público aceita.
- Receita indireta para o dono do local: consumo do motorista enquanto espera. Veja eletroposto atrai clientes?
Erros comuns na projeção
- Usar o movimento de alta temporada como média do ano.
- Supor que todo carro que passa vai parar.
- Somar a potência nominal do carregador como se todo carro aceitasse essa potência.
- Esquecer o tempo em que o conector fica indisponível por manutenção ou por carro estacionado sem carregar.
Perguntas relacionadas
Conteúdo informativo. Projeções são estimativas e não garantem resultado.
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Uma média precisa contar os dias fracos também
Uma operação pode ter recargas concentradas em determinados dias e horários. A média mensal deve incluir períodos sem uso, mudanças de temporada e indisponibilidade. Observar somente um sábado movimentado tende a produzir uma hipótese diferente daquela que descreve um mês comum.
Monte três cenários com o mesmo conjunto de campos: menor procura, referência e maior procura. Ao mudar a demanda, registre o motivo da hipótese. A diferença entre os cenários deve poder ser explicada por público, acesso e rotina; ela não precisa ser uma porcentagem arbitrária sobre um número otimista.
No acompanhamento da operação, separe energia entregue, número de sessões e receita. Uma mudança no faturamento pode vir de mais recargas, sessões maiores, preços diferentes ou campanhas. Essa distinção ajuda a entender o que mudou antes de decidir como agir.
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