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Dimensionamento de cabo e disjuntor para carregador veicular
O cabo e o disjuntor de um carregador são dimensionados pela ABNT NBR 5410, a partir da corrente de projeto do equipamento, considerando que a recarga é uma carga contínua de várias horas. O cabo precisa atender a três critérios ao mesmo tempo: capacidade de condução (com fatores de correção de temperatura e agrupamento), queda de tensão dentro do limite e coordenação com o disjuntor. Não existe "bitola padrão de wallbox": o mesmo carregador pode exigir cabos diferentes conforme a distância e o método de instalação.
Este artigo explica o método. O dimensionamento final de cada projeto é atribuição do responsável técnico.
Passo 1: corrente de projeto
Use a corrente nominal declarada na folha de dados do carregador. Na falta dela:
Monofásico: I = P ÷ V
Trifásico: I = P ÷ (√3 × V de linha)
Exemplo: carregador de 7,4 kW em 230 V monofásico → I ≈ 32 A. Carregador de 22 kW em 380 V trifásico → I ≈ 33 A por fase.
Passo 2: capacidade de condução
Pela NBR 5410, a capacidade do condutor depende do método de instalação (eletroduto embutido, aparente, eletrocalha, enterrado), da temperatura ambiente, do número de circuitos agrupados e do tipo de isolação. Aplique os fatores de correção às tabelas da norma. Garagens quentes, eletrocalhas com muitos circuitos e trechos enterrados reduzem a capacidade.
Regime contínuo: o carregador opera horas seguidas na corrente máxima. Muitos projetistas adotam folga sobre a corrente nominal, e alguns fabricantes a exigem em manual. Siga o manual do equipamento.
Passo 3: queda de tensão
A NBR 5410 limita a queda de tensão; nos circuitos terminais, o limite usual é de 4%. Em carregadores distantes do quadro, é a queda de tensão que costuma definir a bitola. Fórmula simplificada para circuito monofásico com condutor de cobre:
ΔV (V) ≈ 2 × ρ × L × I ÷ S
ΔV (%) = ΔV ÷ V × 100
ρ ≈ 0,0172 Ω·mm²/m (cobre a 20 °C; use valor corrigido para a temperatura de operação)
L = comprimento do circuito em metros (ida)
I = corrente de projeto em A
S = seção do condutor em mm²
Para circuitos trifásicos equilibrados, troque o fator 2 por √3 e use a tensão de linha.
Passo 4: disjuntor e coordenação
A proteção contra sobrecarga deve respeitar a relação da NBR 5410 entre corrente de projeto (IB), corrente nominal do dispositivo (In) e capacidade do condutor (Iz): IB ≤ In ≤ Iz, além da condição de atuação do dispositivo. Escolha curva compatível com a corrente de partida do carregador (normalmente baixa) e confira a capacidade de interrupção no ponto da instalação.
Passo 5: DR, DPS e aterramento
- DR individual de até 30 mA, tipo B ou tipo A com RDC-DD no carregador. Veja DR tipo A ou tipo B.
- DPS e condutor de proteção dimensionado. Veja aterramento e DPS.
Distâncias longas
Acima de algumas dezenas de metros, compare duas soluções: aumentar a seção do cabo desde o quadro, ou levar um alimentador até um quadro de recarga perto das vagas e distribuir circuitos curtos a partir dele. Em condomínios, o quadro dedicado costuma ser a melhor opção.
Uma tabela não conhece a sua garagem
Duas instalações com a mesma potência podem ter comprimentos, temperaturas e formas de passagem diferentes. Uma seção copiada de um exemplo pode deixar de atender à condição do imóvel. O dimensionamento deve tratar a instalação completa, não apenas o número indicado no equipamento.
Para comparar propostas, peça a identificação das hipóteses e a documentação do circuito. O profissional deve conferir dados do fabricante e as condições reais de uso. Evite transformar fórmulas ilustrativas em instrução de compra; uma explicação pública não substitui cálculo, inspeção e responsabilidade técnica.
Perguntas para aplicar à sua situação:
- Quais dados de entrada do fabricante foram usados?
- O método de instalação foi considerado?
- A memória de cálculo integra a entrega?
Perguntas relacionadas
O parecer final é do responsável técnico com ART ou TRT. Confirme a vigência das normas citadas.
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O exemplo de corrente é simplificado
Relações como potência dividida pela tensão são uma aproximação para determinadas condições ideais. Em alimentação CA, fator de potência, rendimento, fases e dados de entrada do fabricante participam da análise. Não use a potência de saída anunciada para selecionar cabo ou proteção diretamente. O projeto precisa conferir a corrente nominal de entrada e as condições reais do circuito.
Uma indicação de seção ou de disjuntor em um exemplo não autoriza sua aplicação no imóvel. Comprimento, método de instalação, temperatura, agrupamento e coordenação das proteções precisam ser analisados por profissional habilitado.
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