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Estudo de carga e smart charging em condomínio: quantos carregadores cabem

Num prédio, a pergunta não é "o disjuntor da vaga aguenta?", e sim "a unidade consumidora que vai alimentar os carregadores aguenta todos eles somados à carga atual?". Quase nunca aguenta no regime de potência máxima simultânea, porque a NBR 17019 conta cada ponto com fator de demanda 1. A solução usual é a gestão dinâmica de demanda: um controlador mede a carga real da unidade em tempo real e reduz a corrente das recargas quando o total se aproxima do limite do disjuntor.

Passo 1: escolher de onde sai a energia

OrigemPrósContras
Unidade do condomínio (áreas comuns)Um ponto de medição, quadro dedicado perto do medidorDivide a folga com elevadores, bombas, iluminação; exige medição por vaga para cobrar
Unidade de cada apartamentoA conta vai direto ao moradorCabos longos, um circuito por apartamento, esgota a folga do morador; difícil de escalar
Nova unidade só para recargaSepara a contaDepende das regras e do prazo da distribuidora. Veja CELESC e carregador veicular

Passo 2: comparar potência instalada com capacidade

Exemplo ilustrativo, de um prédio residencial preexistente com subestação própria:

ItemValor
Pontos previstos9 × 7,4 kW (modo 3, monofásicos 220 V)
Potência instalada do SAVE66,6 kW
Unidade do condomínioDisjuntor geral de 90 A (trifásico 380/220 V ≈ 59 kVA)
Quadro dos carregadoresDisjuntor geral de 125 A

A potência instalada dos carregadores, sozinha, passa da capacidade da unidade. Sem gestão, o projeto teria de ampliar a ligação. Com gestão dinâmica, o controlador soma todas as cargas da unidade (carregadores e áreas comuns) e limita a corrente das recargas para manter o total abaixo dos 90 A, respeitando também os 125 A do quadro dos carregadores.

Passo 3: desenhar a gestão

  1. Medição na unidade que alimenta o SAVE, com transformadores de corrente (TCs) nas três fases.
  2. Controlador que calcula a folga disponível em tempo real.
  3. Atuação por vaga: redução de corrente pela função-piloto do modo 3 e, se necessário, seccionamento.
  4. Limite local persistente na estação: a potência máxima deve estar configurada no firmware e continuar valendo mesmo se a comunicação com o servidor (OCPP ou nuvem) cair.
  5. Distribuição entre fases: alternar os pontos monofásicos entre R, S e T para equilibrar a carga.

Passo 4: avaliar a experiência do morador

Com 9 carros e folga média de, por exemplo, 20 kW à noite, cada um recebe em média pouco mais de 2 kW se todos carregarem ao mesmo tempo. Na prática, os carros chegam em horários diferentes e muitos não precisam de carga completa. Simule o cenário noturno: energia média diária por carro × número de carros ÷ horas disponíveis ≤ folga média. Se não fechar, planeje o aumento de carga.

Passo 5: deixar a expansão pronta

Quadro com circuitos reserva (no exemplo, 21 posições, 9 em uso e 12 reservas), alimentador dimensionado para a etapa final e eletroduto até cada vaga futura. Cada novo ponto exige nova regularização no CBMSC (IN 23, Art. 39).

A prioridade deve seguir a rotina dos moradores

Moradores podem chegar e sair em horários diferentes e precisar repor quantidades distintas de energia. A distribuição de capacidade deve ter regras compreensíveis e compatíveis com o limite do prédio. O sistema precisa ser testado também quando várias vagas estão em uso.

Peça que a proposta explique medição, limite global, prioridades e comportamento diante de falha de comunicação. Gestão de carga não cria capacidade elétrica adicional nem dispensa proteções. Documente o que foi previsto para a expansão e o que exigirá nova avaliação.

Perguntas para aplicar à sua situação:

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Guia informativo. O dimensionamento é do responsável técnico com ART ou TRT.

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